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Lesões meniscais: o que é, causas e sintomas

  • Foto do escritor: Gabriel Taniguti
    Gabriel Taniguti
  • 15 de ago.
  • 5 min de leitura

O menisco é uma estrutura de colágeno em forma de “C” que fica entre o fêmur e a tíbia. Pense nele como um amortecedor e um estabilizador ao mesmo tempo: ele distribui a carga, ajuda o joelho a encaixar e participa da lubrificação da articulação.

Não é a mesma cartilagem que reveste o osso. É uma malha de fibras de colágeno, organizada para aguentar compressão e torção.

Cada joelho tem dois. O menisco medial (interno) é mais fixo e se lesiona com mais frequência. O menisco lateral (externo) é mais móvel. Os dois trabalham o dia inteiro — ao andar, agachar, girar e aterrissar — e por isso aparecem tanto no consultório de joelho e de traumatologia do esporte.

Uma lesão meniscal é, em essência, um rasgo ou uma falha nessa malha de colágeno. Pode ser um corte nítido depois de um movimento ruim ou um desgaste que vai se acumulando ao longo dos anos. O nome no laudo muda (“rotura”, “ruptura”, “lesão degenerativa”), mas a conversa no consultório é a mesma: o que aconteceu, o que o joelho está sentindo e o que isso muda no seu dia a dia.

O que acontece no joelho

O menisco não é um “enfeite” entre os ossos. Ele amplia a área de contato entre fêmur e tíbia. Sem ele, a pressão se concentra num ponto menor da cartilagem articular — a que reveste o osso.

Quando o joelho gira com o pé fixo no chão, ou quando você agacha fundo com carga, essa malha de colágeno é comprimida e ao mesmo tempo tracionada. Se a força passa do que as fibras aguentam, elas rasgam. Em joelho mais jovem e esportivo, isso costuma ser um evento: um corte, um desvio, uma aterrissagem torta. Em joelho com mais idade ou com desgaste, o colágeno já está mais friável; às vezes basta levantar do sofá, agachar para amarrar o sapato ou girar o corpo no trabalho.

Os rasgos têm formatos diferentes — longitudinal, radial, em aba, em alça de balde, complexo. Isso importa para o tratamento, mas importa menos para o que você sente no começo. O que o paciente percebe é dor, inchaço, um estalo ou o joelho que “prende”.

A lesão pode existir sozinha ou acompanhar outras: entorse com lesão do ligamento cruzado anterior (LCA), sobrecarga da cartilagem, artrose. Por isso o exame físico e, quando faz sentido, a ressonância ajudam a separar o que é menisco do que é o resto do joelho.

Causas

As lesões meniscais caem, grosso modo, em dois grupos. Na prática eles se misturam.

Trauma no esporte ou no dia a dia. O mecanismo clássico é rotação do joelho com o pé apoiado — o famoso “girei e senti”. Futebol, basquete, tênis, artes marciais, esqui e corrida com mudança de direção entram aqui. Agachamento profundo com carga, aterrissagem desalinhada e contato com outro jogador também. Muita gente descreve um estalo no momento e a impressão de que “algo saiu do lugar”.

Desgaste com o tempo (lesão degenerativa). Com a idade, o menisco perde água e as fibras de colágeno perdem elasticidade. Ele deixa de se comportar como borracha e fica mais quebradiço. Aí o rasgo pode aparecer sem um acidente memorável: ao ajoelhar, ao girar no estacionamento, ao descer do carro. Isso é especialmente comum no menisco medial depois dos 40–50 anos, e mais ainda se já existe artrose.

Fatores que aumentam o risco:

  • aumento rápido de treino, volume ou intensidade

  • joelho que já teve entorse, lesão ligamentar ou cirurgia

  • sobrecarga repetida em flexão e rotação (agachamento, pivô, trabalho no chão)

  • sobrepeso, que aumenta a carga sobre o menisco medial

  • alinhamento do membro (joelho varo ou valgo) que concentra pressão de um lado

  • fraqueza de quadril e quadríceps, que deixa o joelho menos protegido na aterrissagem

  • idade e mudanças degenerativas da articulação

Não é “frescura” e também não é, na maior parte das vezes, um único movimento “errado” que explica tudo. No joelho jovem, o evento traumático costuma ser claro. No joelho que já desgasta, o rasgo é muitas vezes o capítulo mais recente de uma sobrecarga longa.

Sintomas

O quadro varia com o tipo de rasgo, se o fragmento se mexeu e se o joelho já tinha desgaste. Ainda assim, alguns relatos se repetem.

Dor na interlinha do joelho — na “juntinha” interna ou externa, no ponto em que o fêmur encontra a tíbia. O paciente costuma apontar com o dedo: “é bem aqui na borda”. Dói mais ao girar, agachar, ajoelhar, subir e descer escada ou ao ficar de cócoras.

Inchaço. Pode aparecer nas horas seguintes ao trauma ou ir e voltar depois de atividade. Joelho que incha sempre depois do jogo ou da caminhada longa merece atenção.

Estalo, ressalto ou “algo solto”. Um clique de vez em quando pode não significar grande coisa. Estalo no momento da lesão, seguido de dor e inchaço, é outra história.

Bloqueio ou falseio. O joelho “trava” e não estica de todo, ou prende no meio do movimento e depois solta. Isso sugere que um fragmento do menisco (a clássica alça de balde) está atrapalhando a articulação. Falseio — a sensação de que o joelho vai ceder — também acontece, por dor ou porque o menisco deixou de estabilizar como antes.

Rigidez e perda de movimento. Dificuldade para esticar o joelho por completo, para agachar fundo ou para ficar de cócoras. Muita gente relata que não consegue mais ajoelhar no chão nem sentar com as pernas cruzadas.

Dor que volta sempre na mesma situação. Descer rampa, entrar e sair do carro, virar na cama, ficar em pé depois de muito tempo sentado.

O que em geral não é o quadro isolado de um menisco: dor bem na frente do joelho ao ficar sentado muito tempo (pensar mais em condropatia patelofemoral), ou um estalo forte com inchaço enorme em poucas horas e joelho instável (pensar em ligamento, sobretudo LCA). Esses quadros podem coexistir — por isso a avaliação olha o joelho inteiro, não só o laudo do menisco.

Quando procurar avaliação

Vale agendar uma consulta se:

  • a dor ou o inchaço não melhoram em alguns dias após uma entorse

  • o joelho trava, não estica ou “prende” no meio do caminho

  • você sente estalo com dor na interlinha ao girar ou agachar

  • o joelho incha de novo sempre que retoma o esporte

  • já veio um laudo de “rotura de menisco” e não está claro o que isso muda na prática

No consultório, o diagnóstico se apoia na história e no exame físico — testes que provocam a interlinha e avaliam ligamentos e a patela. A ressonância ajuda a ver o tipo de rasgo e a afastar outras lesões. Ela não substitui o exame do joelho: tem gente com alteração no menisco no exame e pouca queixa, e gente com bloqueio claro e lesão que precisa de decisão mais rápida.

Enquanto a avaliação não acontece: evite forçar o agachamento fundo, o pivô e a tentativa de “destrancar” o joelho à força. Se o joelho estiver muito inchado, quente, travado ou impossível de apoiar, não espere a agenda eletiva.

Dr. Gabriel Taniguti

Ortopedista — Traumatologia do Esporte e Cirurgia do Joelho. Escola Paulista de Medicina / UNIFESP (DOT e CETE).

Av. Chucri Zaidan, 940 — 3º andar, Tower 2 — Vila Cordeiro, São Paulo. Telefones: (11) 5039-4356 · (11) 93305-8210.

Este texto é educativo e não substitui consulta médica.

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